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Technology Readiness Level: como funciona o método TRL
25/05/2021

Technology Readiness Level: como funciona o método TRL
25/05/2021

Criado pela NASA, o TRL é um método para avaliar maturidade tecnológica muito utilizado no ecossistema de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação

O que é o TRL

O Technology Readiness Level (TRL) ou Níveis de Prontidão de Tecnologia, em tradução livre, é um método criado pela NASA (National Aeronautics and Space Administration) na década de 1970 para avaliar a maturidade técnica de uma determinada tecnologia.

Para elencar o TRL, analisa-se a progressão da tecnologia em etapas de pesquisa, desenvolvimento e implementação. Esta escala permite que as pessoas tenham dados de referência consistentes para entender a evolução de tecnologias, independente do conhecimento sobre o assunto.

 

Níveis do TRL

A classificação de prontidão da tecnologia é feita se baseando em nove níveis de 1, o mais baixo, até 9, o mais alto. O nível 1 diz respeito ao início das pesquisas, enquanto o nível 9 significa que o elemento está pronto e sendo operacionalizado ou comercializado. Entenda como a NASA define as características básicas de cada nível:

TRL1: É o início de uma tecnologia. Nesta fase se dá a pesquisa básica de um elemento e a publicação de seus resultados, viabilizando futura pesquisa e desenvolvimento sobre ele.

TRL2: É a formulação do conceito da tecnologia. Acontece quando seus princípios básicos já foram estudados e encontra-se aplicação prática para as descobertas iniciais. De acordo com a NASA, o TRL2 é muito especulativo, visto que existem poucas ou nenhuma prova experimental de conceito para a tecnologia.

TRL3: A tecnologia é elevada ao TRL3 quando se iniciam pesquisa e design ativos, ou seja, quando estudos analíticos e laboratoriais avaliam se a tecnologia está apta a prosseguir para os próximos processos de desenvolvimento. É comum, embora não obrigatório, que no TRL3 haja a construção da prova de conceito. Também é comum que nesta etapa o pesquisador valide sua tecnologia no mercado, mas não é uma regra para evolução de nível.

TRL4: Com a prova de conceito pronta, chega o TRL4. Nesta etapa a tecnologia é validada por meio de investigação laboratorial, testando se os requisitos da performance de aplicação podem ser atingidos.

TRL5: O TRL5 é uma continuação direta à etapa anterior: nela também se efetuam testes, mas desta vez em ambientes simulados que se assemelhem o máximo possível da realidade. Isto significa que a confiabilidade da tecnologia aumenta significativamente. Normalmente, esta é a parte mais cara de uma tecnologia.

TRL6: Uma tecnologia alcança este nível quando já possui um protótipo funcional ou um modelo representativo.

TRL7: Esta etapa diz respeito à demonstração do protótipo funcional ou modelo representativo da tecnologia em um ambiente operacional.

TRL8: A tecnologia que já foi testada, qualificada e está pronta para implementação, alcança o TRL8. Na maioria dos casos, esta etapa representa o fim do desenvolvimento.

TRL9: Uma vez que a tecnologia foi implementada e se provou eficaz, pode ser chamada de TRL9, ou seja, esta etapa significa o sucesso do projeto.

Veja abaixo, no infográfico da Revista Pesquisa Fapesp, um resumo de quais são os checkpoints de cada nível:

 

 

Analisando a escala do TRL é possível notar a transição da academia para o mercado traçada pelos empreendedores. Os níveis de 1 a 3 e, em alguns casos, até o 4, representam tecnologias que normalmente são desenvolvidas em Universidades, em estágios mais iniciais.

Os níveis 5 e 6 representam o Vale da Morte, estágio de desenvolvimento conhecido por “matar” startups e projetos. Segundo a TWI, o Vale da Morte é uma fase que não atrai a academia nem o setor privado. Neste artigo explicamos porque o Vale da Morte significa o fim do desenvolvimento de muitos projetos.

Já os níveis de 7 a 9 são para uma etapa de desenvolvimento mais consistente, onde o produto já está sendo industrializado e comercializado, o que viabiliza conquistar investimentos do setor privado.

 

Como surgiu o TRL

O TRL surgiu em 1974, quando Stan Sadin, pesquisador da NASA, concebeu a primeira escala, com sete níveis. Seu objetivo era classificar materiais relativos ao sistema espacial. Somente 15 anos depois, em 1989, ela foi formalmente estabelecida pela Agência. Na década seguinte ela foi adaptada para os nove níveis que a compõem hoje, recebendo aceitação ao redor do mundo.

De acordo com um artigo da própria NASA, a indústria e organizações governamentais adotaram o TRL, personalizando algumas definições para suprir demandas individuais, mas a base é semelhante à tradicional da própria agêncial espacial dos EUA.

Em 2010 a Comissão Europeia referenciou o TRL para que fosse adotado nos projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação. Três anos depois, o Technical Committee Aircraft and Space Vehicles (Comitê Técnico de Aeronaves e Veículos Espaciais), por meio do Subcommittee Space Systems and Operations (Subcomitê de Sistemas Especiais e Operações), elaborou a norma ISO 16290:2013, baseada na escala TRL.

No Brasil, a criação da norma se deu em 2015, quando a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) nacionalizou o conteúdo criando a NBR ISO 16290:2015.

 

Benefícios do TRL

O método TRL foi aceito mundialmente devido à sua comprovada eficácia em mensurar o nível de prontidão de tecnologias, mas seus benefícios vão além disso e alcançam indústria, universidades e até mesmo o ecossistema de inovação. Veja as principais consequências positivas do uso do TRL:

Padronização

Seu primeiro benefício foi a padronização de classificação de tecnologias em âmbito mundial. Se iniciando pela utilização em solo norte-americano, se expandindo pela referência da Comissão Europeia e, posteriormente, alcançando o mundo inteiro, o método uniformizou a forma como as novas tecnologias são avaliadas.

Esta evidente adaptação ao mundo globalizado e escalável em que vivemos passa por uma variedade de setores, incluindo desde tecnologias espaciais, como aquelas utilizadas na NASA, até o ecossistema de inovação.

Como exemplos de fomentadores da Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação no Brasil que utilizam o TRL, podemos citar o BiotechTown, a FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos), o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e o EMPRAPII (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial).

Gerenciamento de riscos

Com uma visualização de etapas mais acessível e simplificada, gestores têm mais facilidade em gerenciar recursos investidos em projetos, entendendo melhor a quantidade de recursos que cada tecnologia necessita e os possíveis retornos.

Além do auxílio na tomada de decisão, este benefício também apoia na gestão de aplicações, viabilizando a padronização de setores e níveis a serem apoiados.

Investimentos

O benefício também alcança pesquisadores empreendedores que estão desenvolvendo projetos e buscam apoio, uma vez que investidores terão maior facilidade em entender o nível de desenvolvimento da tecnologia mesmo sem conhecimentos profundos na área.

Este benefício se aplica, principalmente, a projetos de Hard Science, que são aqueles que são mais complexos para entendimento do público geral.

O TRL no ecossistema de inovação

Como já citado, há uma tendência de que o TRL seja utilizado para avaliar possíveis investimentos em startups. Alguns dos principais fomentadores de inovação no Brasil já se utilizam deste método para elencar projetos que estejam de acordo com sua política de investimento.

A classificação do TRL também pode ser importante para o empreendedor, uma vez que viabiliza traçar um paralelo entre o grau de maturidade do projeto e os programas que investem neste nível de desenvolvimento. Desta forma, otimiza-se o tempo, aplicando o projeto somente a programas que o contemplem no momento.

É impor tante ressaltar que o TRL diz respeito somente à tecnologia e é apenas um dentre vários critérios de avaliação utilizados por aceleradoras, hubs, investidores e demais atores que aportam recursos em projetos. Fatores como estruturação mercadológica, capacitação da equipe e potencial disruptivo são exemplos de demais pontos a serem considerados.

Portanto, não é correto afirmar que uma startup que tenha uma tecnologia elencada como TRL9, ou seja, está pronta e sendo comercializada, receberá aportes maiores que uma startup que tenha uma tecnologia TRL5. Além das demais características citadas acima, o investimento dependerá também da aderência do projeto ao programa.

Cada instituição investidora e cada programa de aceleração possuem especialidades e níveis de investimento diferentes. Programas acadêmicos, por exemplo, apoiam em maior parte projetos que estejam em níveis 1 e 2, pois são especialistas em auxiliar no desenvolvimento inicial do projeto, que também é uma etapa menos dependente de valores financeiros.

O BiotechTown, por meio do Programa de Desenvolvimento de Negócios, acelera startups que tenham tecnologias a partir do TRL3, ou seja, que já possuam uma prova de conceito, e que tenham relação com biotecnologia e ciências da vida. Além do aporte financeiro de R$150 mil, o hub de inovação oferece mentorias individualizadas, treinamentos coletivos e acesso a estrutura laboratorial e produtiva especializadas.

Veja na imagem abaixo o detalhamento dos níveis e a etapa de investimento de cada uma destas instituições:

Para entender melhor a importância do TRL e como ele é utilizado para apoiar projetos e startups, veja este artigo sobre aceleradoras de startups.

 

 

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