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HealthTechs: tecnologia em prol da saúde
18/05/2021

HealthTechs: tecnologia em prol da saúde
18/05/2021

Você sabe o que é uma HealthTech? Startups e empresas que geram soluções tecnológicas para a saúde compõem um dos segmentos que mais crescem no Brasil e no mundo.

 

Responsáveis por melhorar a qualidade de vida de pessoas em todo o mundo, as HealthTechs mudaram e continuam mudando completamente o cenário de saúde. Saiba como os empreendimentos de HealthTech colaboram para melhorar a vida das pessoas, quais os desafios destas startups e os principais benefícios que trazem para o mundo.

 

O que é uma HealthTech

HealthTech vem dos termos em inglês health (saúde) e tech (uma abreviação para tecnologia). Portanto, são startups que utilizam a tecnologia em função da saúde. Seja por meio de novos aparelhos, medicamentos, vacinas ou qualquer outra solução que auxilie na prevenção, no diagnóstico ou no tratamento de doenças. Em outras palavras, uma startup é uma HealthTech se ela desenvolve um produto ou um serviço que tem o objetivo de impactar positivamente a saúde.

A tendência de crescimento destas startups é uma resposta ao aumento da expectativa e qualidade de vida das pessoas que, graças à ciência e às tecnologias, é cada vez maior. Como vivemos mais, é comum sofrermos com mais doenças ao longo do tempo e, portanto, buscarmos por mais cuidados médicos. Além disso, há também um entendimento maior da população sobre a importância em cuidar da saúde, assunto bastante difundido pela mídia em geral.

Uma vez que doenças são comumente encontradas em diversos pontos do mundo, assim como outros problemas no setor de inovação, as soluções no setor de inovação em saúde são possivelmente adaptáveis em outro local, aumentando o potencial de expansão e de co-desenvolvimento das empresas. Isto faz com que healthtechs sejam escaláveis.

 

Importância das HealthTechs

As Healthtechs são responsáveis por melhorar a qualidade do setor de saúde, utilizando a tecnologia como um aliado para solucionar os problemas que ainda existem no mundo inteiro e até mesmo como uma forma de preventiva, evitando novas adversidades.

Os principais problemas a resolver são as doenças, ou seja, encontrar formas de prevenção, diagnóstico e tratamento mais eficazes. Mas o setor de saúde, em toda a sua amplitude, tem focos de trabalho que ultrapassam estas três frentes de atuação.

Com base em um estudo do Distrito, detalhamos a seguir os demais empecilhos que as startups já estão tentando solucionar e como eles podem ser essenciais para o avanço da qualidade da saúde.

Falta de acesso a profissionais da saúde

Em um país com dimensões continentais como o Brasil, um dos maiores problemas enfrentados é a falta de profissionais da saúde em certas regiões, especialmente quando falamos sobre profissionais de áreas muito específicas. Pela escassez, estes profissionais possuem agendas cheias e muitas vezes o paciente necessita de se deslocar longas distâncias para uma consulta.

Este é um problema antigo e que se busca solucionar por duas tecnologias. Em primeiro lugar, a telemedicina, que permite a pacientes de casos mais simples serem atendidos à distância, evitando deslocamentos desnecessários e filas. O atendimento remoto se dá por plataformas online, acessíveis a partir de dispositivos digitais como celulares e notebooks.

Somente no início da pandemia de Covid-19, em 15 de abril de 2020, as teleconsultas foram regulamentadas pelo Ministério da Saúde e pelo Conselho Federal de Medicina, justamente como uma medida para realizar consultas médicas sem que o paciente precise ir a locais com altas taxas de contaminação do coronavírus, como hospitais e clínicas.

Desde então esta tem sido uma forma comum de atender casos mais simples e que não necessitam de exames físicos. Ainda não se sabe se as teleconsultas serão mantidas após o fim da pandemia, mas as autoridades responsáveis já afirmaram que a as atividade médicas por vias remotas devem ser regulada por lei.

Além da telemedicina, existem as ferramentas de marcação de consulta, que auxiliam a encontrar médicos na região do paciente, facilitando o acesso a profissionais da saúde. Esta melhoria reduz os custos para o paciente e é benéfica também para o médico que atende fora dos grandes centros.

Falta de comunicação interna

Alguns hospitais e clínicas ainda sofrem com uma comunicação deficitária entre os setores, o que pode prejudicar a qualidade e, principalmente, a agilidade do atendimento. Uma das tecnologias que busca solucionar este problema é a substituição de processos lentos e manuais por ferramentas digitais mais eficientes.

Um exemplo de tecnologia que pode auxiliar neste avanço são sistemas que otimizam o processo por meio do registro de informações de pacientes, viabilizando tanto o armazenamento quanto o repasse destas informações entre setores.

Segundo relatório do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) de 2019, 82% dos estabelecimentos de saúde no Brasil já utilizam sistema eletrônico para registro das informações do paciente.

Histórico do paciente

É comum um paciente fazer certo tratamento em um hospital X, com o médico Y. Alguns meses depois, em seu retorno, é possível que o médico Y tenha se aposentado, que o plano do paciente não cubra mais uma consulta com este hospital ou até mesmo que seus horários não batam com a agenda do médico. Desta forma, ele precisa buscar novos profissionais para atendê-lo.

O novo médico precisará conhecer o paciente e seus exames, o que pode ser um problema, visto que prontuários e exames em papel são facilmente perdidos ou danificados, sem contar na dificuldade de se carregar tantos papéis.

Assim como na falta de comunicação interna, os sistemas eletrônicos e os formulários digitais também são uma ferramenta para auxiliar a solucionar esta questão.

Calibração de aparelhos

Aparelhos médicos são muito sensíveis e de difícil operação e a falta de calibração pode resultar em exames não confiáveis ou até mesmo em acidentes. Para agravar a situação, os profissionais de manutenção nestes aparelhos são especialistas em poucos modelos de maquinário, aumentando o custo e o tempo do processo de calibração.

Uma tecnologia que busca solucionar este problema é a de ferramentas de calibração hospitalar, que permite aos próprios médicos efetuarem o monitoramento do desempenho dos equipamentos. Além de maior segurança, este tipo de ferramenta também viabiliza economia, uma vez que dispensa a paralisação das atividades hospitalares.

Esta tecnologia ainda acompanha plataformas e/ou aplicativos para dispositivos móveis que facilitam a gestão das calibrações.

 

Tipos de startups HealthTechs

Falar em HealthTech é muito amplo. Dentro deste setor ainda existem duas subdivisões para ajudar a segmentar as startups e seus produtos ou serviços: Digital Health (Saúde Digital) e Medical Devices (Dispositivos Médicos). Entenda qual o papel e as tecnologias de cada uma.

Digital Health

Também conhecida por saúde 4.0 ou e-saúde, a Saúde Digital é o segmento que traz uma nova abordagem à saúde. O Digital Health pode ser exemplificado por aplicativos para notebooks, celulares e tablets, além de plataformas de consultas online e programas de inteligência artificial para análise de dados da saúde, além de soluções para o dia a dia de hospitais, clínicas e demais instituições de saúde.

O setor de Digital Health engloba as startups de áreas como telemedicina, análise de dados, suporte para decisão clínica e aplicativos de saúde.

Como startups de Digital Health podemos citar a EyeConnect, empresa que criou uma plataforma online que visa a democratização do exame de retinografia. A ferramenta permite que médicos especialistas realizem análises e diagnósticos, fornecendo laudos com base em exames de imagens digitalizados por outros médicos ou pacientes. A plataforma possibilita um atendimento mais ágil e prático.

Outro bom exemplo é a Phast, primeira empresa do mercado a criar um algoritmo capaz de predizer lesões em atletas. Este algoritmo é acessível por meio de um aplicativo que entrega educação continuada e relatórios automatizados de perfil de risco, orientando a conduta dos fisioterapeutas para prevenção de lesões.

Medical Devices

OmiLAMP, dispositivo desenvolvido pela Cepha Biotech

Medical Devices é o setor composto pelos hardwares de saúde digital. Alguns exemplos são roupas, próteses e acessórios inteligentes, dispositivos de monitoramento de saúde e aparelhos hospitalares como instrumentos para diagnóstico e administração de medicamentos.

As startups de wearables, farmacêutica e aparelhagem médica são alguns exemplos que se encaixam em Medical Devices.

Podemos citar a Pineal Tecnologias 3D, startup que emprega a tecnologia de impressão 3D na fabricação de órteses, próteses e dispositivos de mobilidade para a medicina veterinária, e a Cepha, empresa que desenvolveu um dos primeiros dispositivos para diagnóstico de Covid-19, o OmniLamp. Portátil e com a precisão semelhante à da técnica RT-PCR (reação em cadeia polimerase) – considerada padrão ouro para Covid-19 – o OmniLamp entrega resultados em menos tempo e com menor custo, sem a necessidade de utilização de infraestrutura laboratorial.

 

HealthTechs no Brasil

Atualmente o Brasil tem cerca de 700 HealthTechs, segundo dados do site Startupbase. Este número corresponde a mais de 5% do total de startups no país, sendo o terceiro maior segmento, atrás apenas de Educação e Finanças.

Em 2014 existiam apenas 160 HealthTechs, ou seja, em apenas seis anos houve uma alta de mais de 400%. Estes números não se apresentam como uma surpresa, visto que cada vez se gasta mais em saúde no Brasil, que já é o maior mercado do segmento na América Latina e o sétimo maior do mundo. Segundo o Ministério da Saúde, o setor movimenta cerca de 9% do PIB do país.

De acordo com o Distrito, entre 2011 e o início de 2020 foram investidos aproximadamente 325 milhões de dólares em HealthTechs no Brasil, sendo que 70% deste valor foi voltado para startups em etapas de seed e pré-seed, o que significa que ainda estão fases iniciais do seu desenvolvimento.

 

HealthTechs no mundo

O cenário mundial de HealthTechs não é diferente do cenário brasileiro: cada vez maior e mais promissor. Conforme relatório do Silicon Valley Bank, somente no ano de 2020 foram investidos U$15,3 bilhões em startups de saúde, um aumento de quase 50% frente aos U$10,6 bilhões aplicados em 2019.

Embora ainda seja uma ideia recente, iniciada em meados dos anos 2000, as startups de saúde têm conseguido escalar seu mercado de uma maneira surpreendente. Algumas HealthTechs, inclusive, já se tornaram unicórnios, definição dada para startups que passam a valer mais de U$1 bilhão.

De acordo com o HolonIQ, em fevereiro de 2021, 53 HealthTechs já haviam se tornado unicórnios, sendo que 38 delas (cerca de 72%) são do Estados Unidos. O país, segundo o StartUsInsight, tem a maior concentração de HealthTechs, abrigando quatro dos cinco maiores polos do setor no mundo: o Vale do Silício, com 339 startups, Nova Iorque, com 194, Boston com 153 e Los Angeles, com 94. Londres, com 162 empresas, ocupa o terceiro lugar, completando o top 5.

O Brasil ainda não conta com nenhum unicórnio na área de HealthTech, mas centenas de startups são suficientemente estruturadas para conquistar novos patamares e algumas dezenas delas já estão avaliadas em centenas de milhões.

 

Investimento em HealthTechs

As empresas de HealthTech compõem o terceiro maior segmento de startups no Brasil e, portanto, existem aceleradoras e fundos de investimentos dispostos a apoiar o projeto em todas as suas etapas. Sem falar em grandes centros hospitalares que também podem servir como investidores ao fechar negócios com startups com produtos ou serviços ainda em fase de desenvolvimento.

Além disso, o segmento de Health Tech é tão robusto que existem aceleradoras especializadas para apoiar estas startups. O BiotechTown, por exemplo, é um hub de inovação que investe e auxilia somente startups que tenham projetos com foco em biotecnologia e ciências da vida, segmentos que abrangem tanto Medical Devices quanto  Digital Health.

 

 

Desafios do setor

Desenvolver uma nova empresa ou um novo produto no Brasil não é fácil, mas as HealthTechs têm um mercado com muitas especificidades e é por isso que as aceleradoras e todos os demais investidores são essenciais para o sucesso no setor. Veja os principais desafios enfrentados por empreendedores deste segmento:

Estrutura qualificada

As dificuldades se iniciam pela falta de estrutura de qualidade. É verdade que as grandes universidades públicas possuem laboratórios e profissionais qualificados para o desenvolvimento do setor, mas em muitos casos o acesso é limitado a alunos e ao corpo docente.

Portanto, hubs de inovação e demais instituições que apoiam e aceleram startups deste segmento se destacam ao possuir estruturas laboratoriais e produtiva. O BiotechTown, com o Open Lab e o CMO, é considerado um hub de inovação completo, pois viabiliza às startups do seu portfólio acesso a essas estruturas laboratoriais e de produção, além de aporte financeiro e mentoria individualizada, que são efetuadas por meio do seu Programa de Desenvolvimento de Negócios.

Equipamentos Open Lab

Um dos quatro laboratórios do Open Lab, estrutura que, reunida ao CMO, qualifica o BiotechTown como um hub de inovação completo

 

Estas estruturas também se abrangem a ambientes de experimentação, uma vez que métodos tradicionais de desenvolvimento ágil ficam limitados no desenvolvimento de produtos da saúde, pois a prototipagem envolve riscos maiores.

Procedimentos regulatórios

A associação dos produtos e serviços de HealthTechs a rotinas de diagnósticos e tratamento ou a sua inserção em ambientes hospitalares os sujeitam a rigorosos processos de regulamentação. Estes requisitos aumentam consideravelmente o tempo, e consequentemente o custo, para o desenvolvimento e chegada ao mercado de qualquer solução para a área de saúde.

É por este motivo que idealmente programas de aceleração de HealthTechs, têm duração até 3 vezes maiores que os programas normalmente encontrados no mercado,  totalizando 12 meses.

Captação de recursos

A complexidade da tecnologia das soluções da área da saúde pode fazer com que investidores sejam menos propensos a investir neste setor. Este fator, aliado ao alto custo e grau de incerteza das HealthTechs no seu desenvolvimento, faz com que a captação de recursos seja um dos principais desafios enfrentados no segmento.

Apesar do aquecimento no setor à partir de 2020, segundo maior volume de aportes financeiros naquele ano devido a pandemia do novo coronavírus, os números do mercado de healthtech ficaram abaixo do esperado para um ano de pandemia. Muitas vezes o mero aporte financeiro, sem que haja o respaldo técnico necessário e uma estrutura regulamentada para uso, podem não ser suficientes para obter sucesso no ramo

HealthTechs em tempos de pandemia

A pandemia evidenciou ainda mais a nossa necessidade em relação às HealthTechs: consultas online e fácil acesso a informação são dois exemplos simples de serviços que as tecnologias voltadas à saúde trouxeram para nós em 2020, sem contar na importância deste setor no desenvolvimento de medicamentos e aparelhos.

Aclin Check, dispositivo desenvolvido pela Aclin

O BiotechTown investe em empresas da saúde e se orgulha em dizer que, por meio delas e da estrutura laboratorial e produtiva de que dispõe, tem sido relevante para a sociedade, especialmente em tempos de pandemia. A Aclin, uma das startups investidas pelo hub, utilizou a sua tecnologia para auxiliar na manutenção de ventiladores mecânicos danificados para ajudar no tratamento de pacientes com Covid-19. Enquanto a Recombine Biotech, empresa também investida pelo BiotechTown, tem trabalhado na produção de um kit diagnóstico para Covid-19.

O cenário pós-pandêmico provavelmente manterá as boas práticas adquiridas durante a quarentena e a área de HealthTechs é um dos principais pilotos desta mudança.

O mercado de saúde tem se tornado cada vez maior e nas últimas décadas já atinge marcas surpreendentes, alcançando os lugares mais altos nas áreas de investimento e desenvolvimento. Com a pandemia, surgiu uma oportunidade ainda maior para o crescimento das HealthTechs. O Brasil, como um dos maiores mercados do mundo, pode vir a se tornar um dos grandes polos de inovação em saúde também.

 

Quer saber mais sobre startups de saúde? Acesse nosso portfólio de startups e conheça as startups de HealthTechs que o BiotechTown apoia.

 

 

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